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domingo, 2 de janeiro de 2011

1c. Abordagem Burocrática

O século XX representa o século da burocracia. A organização burocrática é monocrática e está sustentada no direito de propriedade privada. Os dirigentes das organizações burocráticas passaram a constituir uma poderosa classe social.
Com o aparecimento, crescimento e proliferação das burocracias, a teoria administrativa – até então introspectiva e voltada apenas para os fenômenos internos da organização – ganhou nova dimensão através da abordagem estruturalista. A visão estreita e limitada aos aspectos internos da organização passou a ser ampliada. A partir daí a abordagem estruturalista se impõe e definitivamente sobre a Abordagem Clássica e Abordagem de Relações Humanas.
A distribuição das atividades é feita impessoalmente. A administração da burocracia é realizada sem considerar as pessoas como pessoas, mas como ocupantes de cargos e de funções. O poder de cada pessoa é impessoal e deriva do cargo que ocupa, daí o caráter impessoal da burocracia.
A burocracia é uma organização na qual a escolha das pessoas é baseada no mérito e na competência técnica. Esses critérios universais são racionais e levam em conta a competência, o mérito e a capacidade do funcionário em relação ao cargo ou a função.
O modelo burocrático de Weber parte da pressuposição de que o comportamento dos membros da organização é perfeitamente previsível. Tudo na burocracia é estabelecido no sentido de prever antecipadamente todas as ocorrências e rotinizar a sua execução, para que a máxima eficiência do sistema seja alcançada. Weber não considera a organização informal. A organização informal aparece como fator de imprevisibilidade das burocracias, pois o sistema social racional puro de Weber pressupõe que as reações e o comportamento humano sejam perfeitamente previsíveis.
o trabalho é dividido entre as pessoas de maneira ordenada, as pessoas são treinadas para se tornarem especialistas em seus campos particulares, podendo fazer carreira em função de seu mérito pessoal e competência técnica.

A Burocracia é baseada em:

1. Caráter legal das normas
2. Caráter formal das comunicações
3. Divisão do trabalho
4. Impessoalidade no relacionamento
5. Hierarquização da autoridade
6. Rotinas e procedimentos
7. Competência técnica e mérito
8. Especialização da administração.
9. Profissionalização
10. Previsibilidade do funcionamento.

Quanto mais racional e burocrática se torna uma organização, tanto mais os membros individuais se tornam simples engrenagens de uma máquina, ignorando o propósito e o significado de seu comportamento. Esse é o tipo de racionalidade chamada de funcional, que é, segundo Weber, atingida pela elaboração de regras que servem para dirigir, partindo de cima, todo comportamento de encontro à eficiência.

1b. Abordagem humanística

Fundada por Elton Mayo, trata-se de uma revolução conceitual iniciada após o aparecimento da psicologia. Os conceitos clássicos de autoridade, hierarquia, racionalização, departamentalização e princípios gerais da administração passaram a ser contestados. O engenheiro cede o lugar ao psicólogo ou sociólogo assim como o Homo Economicus cede o lugar para o Homo Social.
A ênfase sai das máquinas e métodos e migra para os aspectos psicológicos e sociológicos dos funcionários. Defendem que, no trabalho, as relações informais podem ser mais importantes que as formais. Abordam profundamente a questão da liderança, formal ou informalmente legitimada, que havia sido deixada de lado pelos clássicos. A chamada psicologia do trabalho passou por duas fases em seu desenvolvimento:

- 1ª fase. A análise do trabalho e a adaptação do trabalhador ao trabalho:
Está voltada estritamente para o aspecto produtivo. Analisavam as características humanas exigidas por cada tarefa e buscavam o trabalhador ideal através de testes psicológicos.
Temas: seleção de pessoal, orientação profissional, treinamento e método de aprendizagem, fisiologia do trabalho e estudo dos acidentes e da fadiga.

- 2ª fase. A adaptação do trabalho ao trabalhador:
Pelo menos em teoria, agora os aspectos individuais e sociais do trabalho predominam sobre os aspectos produtivos.
Temas: o estudo da personalidade do trabalhador e do gerente, a motivação, os incentivos ao trabalho, a liderança, as comunicações e as relações interpessoais.

Características do Homo Social:
- São criaturas sociais complexas, dotados de sentimentos, desejos e medos.
- A motivação não é fruto apenas do salário.
- Comportamento influenciável pelo estilo de supervisão e liderança.
- Controlado informalmente pelas normas sociais do grupo, inclusive em seu nível de produtividade.

A teoria das relações humanas prioriza o grupo e não o comportamento individual, dando grande importância à comunicação interna. Daí a teoria se desdobra dando origem à “escola da dinâmica de grupo”, fundada por Kurt Lewin. Diz que o comportamento, as atitudes, as crenças e os valores do indivíduo baseiam-se firmemente nos grupos aos quais pertence.
Enquanto a organização formal tem caráter essencialmente lógico a organização informal se dá no dia a dia de forma mais imprevisível, espontânea e ilógico. A organização informal concretiza-se nos usos e costumes, nas tradições, nos ideais e nas normas sociais. Se traduz por meio de atitudes e disposições baseadas na opinião, no sentimento e na necessidade de “associar-se” e não se modifica rapidamente.
As lições tiradas da escola das relações humanas e em voga até hoje são:
- O sucesso da organização depende diretamente das pessoas.
- O administrador deve saber comunicar, liderar, motivar e conduzir as pessoas.

1a. Abordagem Clássica

Por conveniência didática juntamos alguns pensadores no que chamamos abordagem clássica. É a abordagem observada na virada para o século XX, tanto na Europa como nos EUA, nos primórdios da ciência da administração. Os maiores representantes desta corrente de pensamento foram o americano Taylor e o francês Fayol, apesar de nunca terem se comunicado entre si. Apesar de serem tidos como “os clássicos”, cada um desenvolveu uma teoria distinta. Resumidamente:

- Administração Científica (Taylor):
A preocupação básica era aumentar a produtividade da empresa por meio de aumento da eficiência dos operários. Implantou a divisão do trabalho e predominava a atenção para os métodos e movimentos necessários à execução de cada tarefa, assim como o tempo. Tudo era minuciosamente medido, pesado, cronometrado para que se pudesse definir a “única maneira certa de realizar um trabalho” (the one best way).
Taylor acreditava também que para cada trabalho existia um perfil de homem ideal a ser utilizado, de acordo com as características e capacidades físicas, o que chamou de o “homem de primeira classe”. Encontrado este homem, seriam feitos incansáveis estudos de tempos e movimentos (motion-time study) para que nenhum movimento corporal fosse inútil na execução das tarefas e fosse definido o tempo padrão a ser seguido por todos os operários.
Desenvolveu também a “lei da fadiga”, em que estudava a resistência física dos operários, sem considerar questões psicológicas.
Partia da premissa de que o ser humano é motivável por recompensas salariais, econômicas e materiais. Daí vem a denominação Homo Economicus. Traçado um padrão de comportamento humano estereotipado, acreditava que o relacionamento com os trabalhadores poderia ser simplificado. Através do pagamento diferenciado para quem produzia acima de um certo padrão, buscava o aumento de produtividade.

- Teoria Clássica (Fayol):
Fayol buscou definir e conceituar formalmente a nascente ciência da administração. Enquanto Taylor pensava a empresa de baixo para cima, Fayol pensava de cima para baixo. Se interessou pelo estudo da gerência e da divisão da empresa em departamentos. Visualiza a organização como uma disposição de partes a serem especializadas e defende também a divisão do trabalho, sempre coordenado para garantir a harmonia do conjunto.
As funções administrativas enumeradas por Fayol são a base da administração até hoje, apesar de sua flexibilização e das inúmeras roupagens. São elas: Prever, Organizar, Comandar, Coordenar, Controlar.
Cada departamento da empresa deveria desempenhar suas ações guiadas por estas funções e nesta ordem. Definiu também 14 princípios gerais da administração (pág 13 – Chiavenato):
Divisão de trabalho, autoridade e responsabilidade, disciplina, unidade de comando, unidade de direção, subordinação dos interesses individuais aos gerais, remuneração do pessoal, centralização, cadeia escalar, ordem, equidade, estabilidade do pessoal, iniciativa, espírito de equipe.

1. Natureza e evolução do pensamento administrativo

A administração foi desenvolvida a partir de necessidades práticas em várias partes do mundo. Cada corrente de pensamento deu sua contribuição para que tenhamos chegado aos conceitos atuais. Cada uma delas mostra uma faceta da administração:

- Abordagem clássica
- Abordagem humanista
- Abordagem burocrática
- Abordagem sistêmica
- Abordagem contingencial.